A memória de um território também se constrói pelas histórias, tradições e experiências de quem o habita. No Rio Grande do Norte, o projeto Mapa do Axé Potiguar busca dar visibilidade a essas dimensões por meio de uma pesquisa dedicada às comunidades tradicionais de matriz africana e ameríndia. Coordenada pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), a iniciativa conta com o apoio da Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) para viabilizar as atividades de pesquisa e ampliar o alcance do trabalho em diferentes regiões do estado.

Mais do que identificar a localização dos povos de terreiro e de outras comunidades tradicionais, o projeto pretende registrar suas trajetórias históricas, genealogias religiosas, formas de organização comunitária e experiências de resistência. O levantamento também contempla desafios relacionados ao acesso a direitos, à segurança alimentar, à regularização fundiária e ao enfrentamento do racismo religioso.

A proposta contribui para enfrentar a invisibilidade histórica dessas comunidades e produzir informações que reconheçam a diversidade cultural e a importância dos territórios tradicionais na formação social do Rio Grande do Norte.

Fotos de Augusto Junior e Carmem Felix

Pesquisa, memória e participação comunitária

O Mapa do Axé Potiguar adota a cartografia social como metodologia de pesquisa. Nessa perspectiva, o território não é compreendido apenas como um espaço geográfico, mas também como lugar de memória, ancestralidade, pertencimento e construção coletiva de conhecimentos.

A participação das próprias comunidades é fundamental para esse processo. Ao compartilhar experiências, histórias e formas de organização, seus integrantes contribuem diretamente para a construção de um registro que respeite suas identidades e reconheça seus modos de vida.

O projeto reúne mais de 70 colaboradores distribuídos pelas diferentes regiões do estado, com a participação dos 22 campi do IFRN e dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabis). A iniciativa é coordenada pela Assessoria de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Aserer) do Instituto e conta com fomento do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), além da parceria de instituições como a Funcern, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e o Grupo de Articulação das Matrizes Africanas e Ameríndias do Rio Grande do Norte (Gama/RN).

Os dados reunidos darão origem a um documento digital de consulta permanente, destinado a subsidiar pesquisas, orientar gestores públicos e contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais. A expectativa é que o material amplie o conhecimento sobre esses territórios e fortaleça iniciativas de reconhecimento de direitos e valorização do patrimônio afro-brasileiro e ameríndio.

Fotos de Augusto Junior e Carmem Felix

Atuação da Funcern

A participação da Fundação está relacionada à gestão dos recursos necessários para a execução das atividades previstas. Entre as atribuições da Fundação estão o gerenciamento de mais de 70 bolsas mensais, além da execução de diárias e da aquisição de insumos que dão suporte ao desenvolvimento da pesquisa.

Para a coordenadora de Gestão de Projetos da Funcern, Gracy do Nascimento, a iniciativa representa uma oportunidade de contribuir para o reconhecimento das comunidades tradicionais e fortalecer a atuação institucional nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão: “que este projeto seja construído junto com essas comunidades, ouvindo suas vozes e fortalecendo seus saberes. Contem com a Fundação como parceira nessa caminhada”, disse.

Fotos de Augusto Junior e Carmem Felix

Ao oferecer suporte à execução financeira e administrativa do projeto, a Fundação contribui para que as atividades de pesquisa contem com os recursos necessários ao seu desenvolvimento. Esse trabalho integra a atuação da Fundação no apoio a iniciativas institucionais que articulam conhecimento, desenvolvimento social e atendimento às demandas da sociedade.

O Mapa do Axé Potiguar reforça, assim, a importância da articulação entre instituições de ensino, pesquisa e organizações representativas das comunidades tradicionais. Ao reunir informações construídas com a participação dos próprios territórios, a iniciativa busca ampliar o reconhecimento de suas histórias, fortalecer a garantia de direitos e contribuir para políticas públicas mais atentas à diversidade cultural do Rio Grande do Norte.

Fotos de Augusto Junior e Carmem Felix

Texto produzido pela estagiária de Jornalismo da Funcern, Adrielen Vilela, sob supervisão do jornalista Max Praxedes; Imagens de Augusto Junior e Carmem Felix.